Da cadeira de rodas para o esporte!

Oi gente bonita!

É com muito carinho que compartilho mais uma História de Vida com vocês. Desta vez, vamos conhecer a superação do Raphael, diagnosticado com paralisia cerebral aos 11 meses de vida. Hoje, ele é um grande atleta e trabalha no Comitê Rio 2016. Agradeço ao Raphael por compartilhar seu testemunho conosco. Aos meus amigos, uma boa leitura!

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Raphael surfando com o amigo David Romer. Uma grande conquista! Essa fantástica experiência aconteceu na Praia Grande, Arraial do Cabo-RJ. Na época, o amigo David era surfista profissional. Atualmente é pastor e vive com a família na França. (Arquivo Pessoal)

 Por Raphael Pinho

“Antes de começar a descrever um pouco da minha história e o que já fiz e tenho feito por ai, gostaria que não existisse por parte do leitor qualquer sentimento de pena –  “tadinho dele” –  porque hoje posso falar que o pior sentimento que um ser humano pode ter pelo outro, é o de pena! Não tenho do que reclamar da vida, me sinto honrado, privilegiado e preparado para passar por qualquer adversidade, e meu desejo ao escrever isso para cada um de vocês, é que após essa leitura vocês possam enxergar e encarar a vida de maneira alegre, feliz, sabendo que devemos estar preparados para os momentos de luta, dor… Que momentos como estes são utilizados para nos despertar e nos fazem acordar para vida.

Me chamo Raphael Fagundes F. Pinho, tenho 27 anos, namorado da Priscilla, sou Bacharel em Direito e atualmente estou trabalhando no Comitê Rio 2016 (desde que entrei no mercado de trabalho, sempre sonhei em trabalhar na organização do maior evento esportivo do planeta, após já ter trabalhado em grandes empresas como Tim, Oi e Carvalho Hosken). Voluntário da Mocidade Para Cristo, aqui no Rio de Janeiro-RJ, meu pai é presidente de uma Associação, onde funciona uma equipe de Rugby em cadeira de rodas. O nome é Associação Santer de Ação Comunitária, essa equipe existe desde 2011, e auxilio ele nas questões referentes a parte do time fora e dentro de quadra. Atualmente moro na Barra da Tijuca-RJ, com minha família. Durante alguns anos morei sozinho por causa da faculdade, mas fui criado no bairro de Campo Grande, no Rio de Janeiro.

Tenho um quadro clínico de paralisia cerebral devido a um erro médico na hora do parto (a parte motora do meu corpo foi comprometida, mas o intelectual e a fala foram preservados). O caso só foi diagnosticado quando eu tinha 11 meses de vida. Os médicos diziam que eu não iria andar, não teria a menor chance de, por exemplo, estar redigindo este texto para vocês e estava “condenado” a viver em cadeira de rodas. Mas graças a DEUS, com muita força de vontade, fé e apoio da minha família que não desistiu de mim, hoje a história é outra; ando com uma certa limitação, mas me considero independente.

O sonho de qualquer garoto brasileiro, principalmente, é ser jogador de futebol, e o meu caso não foi diferente! Meu maior sonho era ser jogador do Fluminense, entrar no Maracanã e fazer gols, mas desde a minha infância já havia reparado que isso não seria possível. Fui matriculado em uma escola que havia uma classe especial para atender os alunos com algum tipo de deficiência. Tive o privilégio de prosseguir a escola naturalmente. Quando tinha Educação Física, era sempre o último a ser escolhido e isso me deixava chateado pelo fato de saber que “eu não jogava nada”. Apesar disso, não me abati e mesmo sendo o último dava o meu melhor e tentava tirar proveito, já que ninguém me marcava no pique-bandeira, futebol… Eu fazia a minha parte, até que os meus amigos entenderam que podiam contar comigo. Isso me ajudou muito, sempre fui muito querido e bem recebido por onde estudei e participava das atividades com os demais alunos. Graças a esses momentos, por exemplo, não desisti do sonho de um dia me tornar atleta de alto rendimento e trabalhar com esportes. Tive a oportunidade de fazer equitação, surfar em pé e trilha no meio da mata, até que em Junho de 2009, o Rugby em cadeira de rodas entrou de vez na minha vida. Até hoje estou na modalidade que é apaixonante e fascinante, que fez uma mudança radical na minha história. Afinal, a cadeira de rodas, que era o último lugar onde eu queria sentar, tem feito eu conhecer o Brasil e o mundo. Hoje, além de títulos, medalhas e troféus, o que mais carrego comigo desse esporte são as amizades, ensinamentos e a vontade de fazer alguma coisa na vida que seja relevante e faça diferença na vida das pessoas”.

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